Manoel faz 100 anos

«Quando eu digo que o cinema não existe, que o que existe é o teatro e que o cinema é um processo de fixação audiovisual do teatro, é porque é aí que ele é rico, que é verdadeiramente distinto do teatro, que é rápido, que é efémero. Se eu digo que o cinema não existe, é da mesma maneira que podia dizer que a vida não existe, que o que existe de facto é o teatro. Porque a vida escapa-se-nos a todo o instante, o momento de agora é já perdido, e portanto o que nos resta da vida é o teatro».
No final desse ano, mais precisamente em 11 de dezembro, o cineasta português Manoel de Oliveira completará seu centenário, coisa que anda na moda ultimamente. Oliveira ama o cinema, ama a história de seu país e parece também amar a vida. Para muitos, os filmes desse português são chatos, parados, “coisa de crítico”, e por aí vai. Adepto a um cinema “antigo”, com a câmera quase sempre fixa, Manoel alerta os desatentos e os apressados: “Num plano fixo pode haver muito movimento". O diretor ganhou uma Palma de Ouro especial por sua filmografia sempre instigante, reflexiva, informativa e que nunca descola a forma do conteúdo. Preciso voltar a nadar e rever os filmes que eu gosto!
- Manoel de Oliveira em DVD no Brasil:
Um Filme Falado
O Princípio da Incerteza
Espelho Mágico
http://www.madragoafilmes.pt/manoeloliveira/
Le cinéma est mort

É no mínimo curioso ler o conselho do diretor/ator americano Clint Eastwood aos jovens cineastas: "Continuar sempre. Acredite em si próprio e alguém acabará acreditando também. A cada vez que fecharem uma porta, não desista". Do alto de seus 78 anos, desfilando ao lado de Angelina Jolie para apresentar um novo filme no Festival de Cannes, fica muito fácil falar uma coisa dessas. Olha a alegr$a estampada nos olhos dos dois. Acredito muito mais no senhor David Lynch, para quem esse tal cinema que anda por aí, já morreu. Resta saber quem vai enterrar. O velhinho Indiana Jones?
Escrito por
Anderson Vitorino
às
14h04