
Pela primeira vez na direção de um filme de ficção, Julie Gavras,
filha do diretor Costa-Gavras, roteirizou e dirigiu "A Culpa é do
Fidel!" - baseado em romance homônimo de Domitilla Calamai. Julie já
havia sido assistente do pai em "Amén" e atuou no filme francês "O
Corte".
A política permeia todo o filme, assim como os principais trabalhos de
Costa-Gavras, mas nem por isso pode-se afirmar de que "A Culpa é do
Fidel!" seja um filme político no sentido tradicional. O filme de
Julie consegue se equilibrar muito bem entre um drama familiar com
toques cômicos e o fundo bastante politizado.
No início da década de 70, em Paris, uma jovem família é afetada por
acontecimentos sócio-políticos que pipocam por todo o mundo e acabam
tendo que reestruturar toda sua vida. O principal ponto de vista do
filme é o da pequena Anna (Nina Kervel-Bey) que questiona bastante o
engajamento de esquerda dos pais, assim como as novas atitudes "de
esquerda" deles.
Aliás, a alternância de pontos de vista, das crianças para os pais, é
um interessante fator no filme, pois assim as certezas são
constantemente questionadas. Há uma tentativa de relativizar as
diferentes percepções acerca do que é ser de esquerda, socialista,
capitalista, etc. E daí talvez advenha a principal idéia do filme:
tudo tem dois, ou mais, lados.
O humor, que também permeia o longa, vem de certa ingenuidade dos
personagens, como acontece com a jovem Anna que acredita que os
barbudos (comunistas) são os culpados pelas agruras de sua família.
Além disso, a própria referência a Fidel, líder cubano, como sendo
culpado por toda confusão que assolou o mundo depois da Segunda Guerra
Mundial. Os clichês com que um lado vê o outro são ferramentas usadas
para fazer rir.
O filme foi exibido na mostra competitiva do Festival de Sundance em
2006 e traz no elenco Julie Depardieu, filha do astro francês Gérard
Depardieu, e Stefano Accorsi ("O Quarto do Filho" e "Capitães de
Abril").
”A Culpa é do Fidel!”, de Julie Gavras 


(La Faute à Fidel!, ITA/FRA, 2006)
Com: Stefano Accorsi, Julie Depardieu, Nina Kervel-Bey
Escrito por
Anderson Vitorino
às
00h29