Entre a comédia e o drama, a vida de um jovem gay filipino

O filme de estréia, “O Desabrochar de Oliveros”, recebeu vários prêmios – entre eles, três só no festival de Berlim em 2006 – e foi a indicação das Filipinas para o Oscar de filme estrangeiro. Entre a comédia e o drama realista, o longa-metragem acompanha um efeminado garoto de 12 anos e sua família, após a morte da mãe. Eles moram na periferia de Manila e sobrevivem de roubos e contrabandos.
Maxi, interpretado pelo ótimo jovem Nathan Lopez, é visto praticamente como uma menina, tanto pela família quanto pelos vizinhos. O garoto faz todos os trabalhos domésticos em sua casa, cuida do pai e dos irmãos e adora ver filmes ocidentais em DVDs piratas. Solito, o diretor, consegue dar bastante naturalidade ao personagem e às relações dele com o seu entorno.
A “paz” de Maxi e de sua família é ameaçada com a chegada de Victor, um policial que logo vira alvo do amor do garoto. O problema, além da idade que separa Maxi de Victor, é que os parentes do garoto não vivem muito dentro da lei e passam a rivalizar com o policial.
Sem querer ser um registro da realidade social nas Filipinas, “O Desabrochar de Oliveros” traz para as telas o cotidiano de uma periferia e ainda constrói as relações familiares do jovem gay com bastante frescor, privilegiando a aceitação e o amor entre os irmãos e pai.
O Desabrochar de Oliveros, de Auraeus Solito 
(Ang Pagdadalaga ni Maximo Oliveros, 2005, Filipinas, 100’)
Escrito por
Anderson Vitorino
às
18h07
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Respeito humaniza tema polêmico

O título brasileiro do documentário americano “Red Without Blue” (Vermelho sem azul, em tradução literal) pode afastar o espectador. O nome original remete às cores das roupas usadas para distinguir os gêmeos idênticos, Mark e Alex, nascidos em 1983, no estado de Montana, nos EUA.
“Gêmeos: a Inversão da Semelhança” acompanha a reaproximação dos irmãos, já com mais de 20 anos e vivendo em cidades diferentes. Alex está em vias de decidir pela operação de troca de sexo e na verdade, já até trocou de nome – ele agora é Clair. Mark é confrontado com essa realidade e precisa lidar com a questão da própria identidade visto que ambos se sentiam e eram visto como idênticos.
O documentário entrevista os gêmeos, os pais – divorciados desde os 11 anos de idade dos filhos, acompanha seus “personagens” em momentos importantes e entremeia tudo com vídeos e fotos antigas da família. Nos moldes de “Estamira”, documentário brasileiro de Marcos Prado sobre uma mulher que vivia no meio de um lixão no Rio de Janeiro, acredito que o processo de filmagem de “Gêmeos: a Inversão da Semelhança” tenha servido como uma profunda terapia para os gêmeos e seus pais.
Longe de um tratamento polêmico para o tema da transexualidade, o filme segue por um caminho bem mais humano. A aceitação e o respeito estão no centro da solução dos problemas de Mark e Clair e seus dramas são investigados com dignidade, ao mesmo tempo o documentário consegue ser elucidativo e até mesmo educativo.
Gêmeos: a Inversão da Semelhança, de Brooke Sebold, Benita Sills, Todd Sills   
(Red Without Blue, 2007, EUA, 74’)
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h18
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Últimos dias de Mix Brasil em SP:
19/11
22h – “Oh Happy Day” – Espaço Unibanco de Cinema
(de Ian Poitier, 2007, Reino Unido, 101’)
O diretor e roteirista estreante Ian Poitier elaborou uma comédia romântica ambientada em Londres. Nela, dois jovens rapazes enfrentam as tortuosas conseqüências de terem transado uma noite pouco antes de começarem a trabalhar juntos.
20/11
16h – “Hatsu-Koi” – Espaço Unibanco de Cinema
(de Imaizumi Koichi, 2007, Japão, 97’)
Tadashi cursa o último ano do colegial e está secretamente apaixonado por Kota, seu colega de classe, mas nem ousa comentar isso com ele. Ambientada na Tóquio contemporânea, essa história de amor versa sobre sair do armário e assumir uma relação, ao mesmo tempo em que se abre para cenas românticas e também sexualmente explícitas.

22h – “Jihad para o Amor” – Cinesesc
(de Parvez Sharma, 2007, EUA, 81’)
Gay e muçulmano, o cineasta Parvez Sharma dedicou-se a estudar a religião islâmica e viajou pelos muitos mundos dessa fé dinâmica, descobrindo histórias de seus mais inesperados porta-vozes: muçulmanos gays e lésbicas. Em sua estréia como diretor, ele realizou o primeiro filme a explorar as intrincadas conexões globais entre o Islã e a homossexualidade.
21/11
22h – “A Turminha das Sapinhas de Tetinhas Pequeninas” – Espaço Unibanco de Cinema
(de Jamie Babbit, 2007, EUA, 86’)
Esta é uma canção roqueira de amor à urgência do sexo, da liberdade e da rebeldia que se manifesta quando uma garota comum descobre sua própria força e indignação para tomar uma atitude e mudar o mundo. O longa conquistou os prêmios de melhor filme e melhor ficção no SXSW Film Festival, em Austin, Texas.
22/11
20h – “Spider Lilies” – Cinesesc
(de Chou, 2007, Taiwan, 94’) Grande vencedor do prêmio Teddy de melhor ficção no festival de Berlim de 2007. Takeko, que também tem descendência japonesa e atende pelo apelido Bamboo, possui um salão de tatuagem em Taipei, lugar que é freqüentado pela bela jovem Jade. Navegando na website da jovem, Takeko descobre que Jade é uma cybersex girl. Assumidamente homossexual, o cineasta Zero Chou trabalha aqui pela primeira vez com atores consagrados.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
09h41
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