
Jean-Claude Brisseau (Coisas Secretas) foi processado por duas atrizes que fizeram testes para seu filme anterior. Elas afirmam que foram manipuladas a protagonizar cenas de masturbação e de sexo entre si. Brisseau enfrentou momentos difíceis quando a história se tornou pública e Anjos Exterminadores é uma forma de resposta e de também de dar a sua versão dos fatos. O filme pode ser dividido em três partes: os testes com as atrizes, o envolvimento pessoal entre as escolhidas e o diretor, e as conturbadas filmagens do filme. É impossível não pensar nas críticas que andei lendo sobre esse filme e no ataque às cenas de masturbação e sexo exibidas em Anjos Exterminadores. Não sei se estou muito liberal ou alguns críticos pudicos demais, mas as cenas de nudez e sexo não são nem um pouco apelativas e estão totalmente inseridas na lógica e no contexto do filme – além de serem muito bem filmadas! O cineasta dentro do filme deseja fazer um longa-metragem sobre o prazer feminino e para isso quer escalar atrizes a partir de testes com as partes, que segundo ele, são as mais difíceis do filme – as tais cenas “pornôs”! Há sim um jogo de poder na relação diretor/ator, mas isso acontece independente de existir sexo nas cenas. E há sempre, em produções sérias, o consentimento dos atores – em Anjos Exterminadores o diretor chega a ser procurado por atrizes que desejam fazer seus testes. Saindo dessa polêmica, superficial, ressalto a câmera do filme, que se alterna entre o olhar do diretor dentro do filme com sua câmera digital, e a câmera objetiva do filme, quase sempre parada e próxima dos atores. O controle gráfico do diretor é imenso. Cada cena é extremamente marcada, seja na fotografia, seja na mise en scéne. Entre o prazer feminino e o poder do diretor, e do olhar, há ainda um forte caráter religioso e moral que assombra o personagem do diretor (e a todos nós?), representado por mulheres-anjos. O filme é, sem dúvida, muito mais do que a discussão em torno da exibição de cenas de sexo.
Anjos Exterminadores, de Jean-Claude Brisseau  
(Les Anges Exterminateur, FRA, 2006)
Com: Fréderic van den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck
Escrito por
Anderson Vitorino
às
08h06
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Nação Fast Food – Uma Rede de Corrupção, de Richard Linklater 
(Fast Food Nation, EUA, 2006)
Com: Greg Kinnear, Catalina Sandino Moreno, Luiz Guzmán
O diretor Richard Linklater é bastante conhecido por seus filmes cheios de diálogos e questionamentos existenciais (Antes do Amanhecer, Waking Life). Em Nação Fast Food – Uma Rede de Corrupção, Linklater experimenta uma estrutura diferente: existem vários núcleos dramáticos em torno de um tema central – o ataque à proliferação de redes de comida rápida e o consumo indiscriminado de carnes. Apesar de existir um tema central, o filme se dissolve em diversos assuntos menores (menores em relação ao peso dado ao tema central pelo próprio filme), como a imigração ilegal e a condição dos que cruzam a fronteira, a corrupção nas grandes empresas, as expectativas de vida dos americanos, as relações familiares, e por aí vai. A causa defendida pelo filme é, sem dúvida nenhuma, bastante nobre – a produção de carne é cada vez mais descontrolada e o impacto ambiental já atingiu níveis difíceis de serem contornados – porém, articular isso dentro de um filme de ficção não é tão simples assim. Os diálogos do filme são quase sempre muito didáticos, como nas cenas dos adolescentes que desejam fazer algo de concreto a respeito da exploração animal – participação de Avril Lavigne. Apesar dos bons atores escalados e da reconhecida habilidade de Linklater para dirigir, a sensação é que cada núcleo do filme está num tom – do naturalismo ao melodramático – e a conclusão à que chegamos é que uma boa causa não faz, necessariamente, um bom filme!
Escrito por
Anderson Vitorino
às
23h41
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