A superficialidade e/ou o perigo de um lado só

Ventos da Liberdade é no original The Wind That Shakes the Barley, que a meu ver não foi bem adaptado. Bom, isso não é novidade. O que ressalto aqui é que o título original remete a algo do tipo o vento que faz com que a plantação de um campo se movimente e o que motiva alguém nem sempre é a liberdade.
O título brasileiro não é tão equivocado assim se partirmos para uma leitura do filme, e no caso, praticamente só há uma: a reação irlandesa perante a constante invasão e crueldade dos ingleses maus. Sim, eu concordo com a causa irlandesa, mas assim como não gostei da visão estreita de 300, também me incomodou aqui o partido do filme, não do diretor Ken Loach. Mas, claro, esse era o filme que ele quis fazer. Fez e ainda ganhou prêmio em Cannes (Palma de ouro).
Algo bastante admirável no filme é o domínio do diretor sobre a linguagem clássica do cinema (a relação entre os planos, o roteiro embasado num início, meio e fim, etc). Além disso, as relações entre os personagens antagônicos são interessantes, apesar de esquemáticas. Os atores conferem dignidade ao filme e em especial Cillian Murphy, ator versátil que vem chamando a atenção do público mundial.
Ventos da Liberdade, de Ken Loach 

(The Wind that Shakes the Barley, ALE/ESP/FRA/ITA/ING/IRL, 2006)
Com: Cillian Murphy, Padraic Delaney, Liam Cunningham
Escrito por
Anderson Vitorino
às
23h10