Evaldo Mocarzel: um documentarista autor

O mito da neutralidade há muito já foi desmascarado e o documentarista carioca Evaldo Mocarzel parece saber isso muito bem. Com experiência no jornalismo e no teatro, o diretor disse para Merten, crítico do Estado de SP, que sua praia é a ficção e que o documentário foi um acidente em sua vida. Acidente que rende prêmios a cada nova produção, diga-se de passagem.
Mocarzel não nega em nenhum momento porque foi fazer um filme sobre determinado tema. Isso fica claro em Do Luto à Luta (2005), no qual ele parte de sua própria experiência inicialmente “traumática” para tentar entender como é ter uma filha com síndrome de down. No belo Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia (2004), o esperado nascimento do filho do diretor serve também como catalisador para uma pesquisa e registro de um mundo em extinção: a tradição das populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia.
O cinema documental de Mocarzel é só seu. Ele faz entrevistas, mas entra sem medo como protagonista em momentos pertinentes. Seus filmes também têm uma postura ideológica, nada de panfletarismo, mas também nada de demagogia ou intenção de objetividade jornalística. Seguindo esse mote o diretor pretende realizar uma tetralogia sobre os “excluídos” na cidade de São Paulo. A série teve início com À Margem da Imagem (2003) a respeito da apropriação da imagem da pobreza pela mídia e pelo cinema.
À Margem do Concreto (2005), ganhador do prêmio do público no Festival de Brasília de 2005, surge quase como uma continuação ou desdobramento do primeiro filme, visto que vários integrantes do MSTC (Movimento dos Sem-Teto do Centro) foram retratados lá. A câmera de Mocarzel se põe em posição para entender o outro: quem são e como vivem essas pessoas que, segundo a maior parte da imprensa, invadem prédios abandonados? A equipe de filmagem entrevista e acompanha as pessoas envolvidas nas ocupações e também provoca situações. Entra aí talvez a verve ficcional de Mocarzel, o que também podemos observar na montagem e fotografia das cenas noturnas de ocupação que lembram filmes ficcionais de suspense.
À Margem do Concreto, de Evaldo Mocarzel  
(Idem, BRA, 2005)
Escrito por
Anderson Vitorino
às
13h56
|

Adaptação do livro 100 Escovadas Antes de Ir para Cama, de Melissa Panarello, sobre suas descobertas e experiências sexuais aos 15 anos. O livro, baseado em diário que a italiana da região da Sicília mantinha durante a adolescência, foi vendido em todo o mundo e causou incômodo ao revelar experiências sexuais (como sexo grupal) entre adolescentes. O diretor Luca Guadagnino fez uma opção por ser mais “pop” e menos chocante, pensando em atingir, principalmente, um público mais jovem. O filme foi exibido na Mostra Internacional de Cinema em SP de 2006.
Longe de ser o Eu, Christiane F... da nova geração, 100 Escovadas Antes de Dormir está bem mais para a linguagem televisiva das séries de TV sobre adolescentes. Destaque para a participação especial de Geraldine Chaplin como a avó que mantém proximidade e boa relação com Melissa. A autora, que agora vive em Roma, já escreveu outro romance (L’Odore del tuo Respiro), ainda não publicado no Brasil.
100 Escovadas Antes de Dormir, Luca Guadagnino
(Melissa P., ITA/ESP/EUA, 2005)
Com: Maria Valverde, Fabrizia Sacchi, Primo Reggiani, Geraldine Chaplin
Escrito por
Anderson Vitorino
às
13h52
|
Fassbinder – Um anarquista romântico
Até o dia 18 de março está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo uma retrospectiva de filmes e aulas sobre o cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder. Influenciado pelos melodramas de Douglas Sirk e pelo teatro de Brecht, Fassbinder espelhou em mais de 40 filmes sua visão da sociedade pós-guerra. “O meu assunto é a exploração dos sentimentos, quem quer que seja que os esteja explorando”.
Los Angeles Grindhouse Film Festival 2007
Enquanto os americanos aguardam pela estréia do novo Tarantino, o filme duplo Grindhouse dividido com Robert Rodriguez, acontecerá em Los Angeles uma retrospectiva dos longas que influenciaram os diretores nessa nova experiência sangüinária. Filmes da década de 70, que exploravam o sexo e a violência, serão exibidos – muitos que nem foram lançados em DVD, fazem parte da coleção pessoal de Tarantino. As noites do festival serão temáticas: comédias sexuais européias, todo o sangue – são alguns dos ciclos da mostra. Grindhouse estréia no dia 6 de abril nos EUA e permanece sem previsão para os cinemas brasileiros. Trailers e fotos já rolam na internet.
Antônia nos EUA
O terceiro filme de Tata Amaral sobre as meninas da periferia paulistana que desejam viver do rap terá sua primeira exibição nos EUA na sexta-feira, no Festival de Miami. A distribuição de Antônia nos EUA já está garantida. Depois de ser exibido em mostra paralela no Festival de Berlim, os direitos de exibição na América do Norte foram adquiridos por um braço da distribuidora Netflix.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
11h09
|
Refilmagens infinitas
O filme alemão A Vida dos Outros mal ganhou o Oscar® de filme estrangeiro e já tem refilmagem americana garantida. A Mirage Prods., De Sydney Pollack e Anthony Minghella, já anunciou o projeto em inglês. Falta de criatividade, dificuldade para ler as legendas ou incapacidade de compreender (filmes) estrangeiros? Por que não distribuir o original alemão por todo o mundo se gostaram tanto assim da história do filme?
Abbas Kiarostami
O diretor iraniano tem retrospectiva de seus filmes no Museu de Arte Moderna em Nova York. Kiarostami foi um dos responsáveis por internacionalizar o cinema do Irã, principalmente via os grandes festivais de cinema do mundo. Gosto de Cereja (1997) ganhou a Palma de ouro em Cannes além de outros prêmios. Sua filmografia tem mais de 30 filmes, entre documentários e ficção. O Vento nos Levará, Dez, Através das Oliveiras e ABC África são alguns dos filmes que serão exibidos por lá. No Brasil alguns filmes do diretor estão disponíveis em VHS e DVD.
Histórias de Tóquio
Os diretores franceses Michel Gondry e Leos Carax e o sul-coreano Bong Joon-ho estão em negociação para escrever e dirigir episódios para um filme que se passa em Tóquio. O projeto é de uma produtora francesa e tem o título provisório Tokyo.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
11h08
|

Em um filme simpático, o ator irlandês Peter O’Toole aos 74 anos demonstra vitalidade e profundidade na interpretação de um ator veterano que se apaixona por uma jovem. Depois de ganhar um Oscar® honorário em 2003, o ator concorreu pela 8ª vez como melhor ator por Vênus, dirigido por Roger Michell, do intrigante Recomeçar (2003), escrito por Hanif Kureishi. O roteirista voltou a trabalhar com Michell nesse drama leve e vale lembrar que ele é o responsável pelo roteiro de Minha Adorável Lavanderia, de Stephen Frears. A história de Vênus é inspirada em Diary of a mad old man, de Junichiru Tanizaki. É verdade que o filme não traz novidades e trata de um tema (paixão de um senhor por uma jovem) já amplamente explorado no cinema, mas o carisma de Peter O’Toole e a estranha relação estabelecida entre ele e a garota no filme são atrativos que seguram certo interesse. Vênus tem seus momentos de poesia cinematográfica, apesar de o diretor de Notting Hill parecer primar pelo tom ameno de uma comédia romântica. A participação mais que especial de Vanessa Redgrave também vale o ingresso!
Para visitar o site oficial do filme clique aqui.
Vênus, de Roger Michell  
(Vênus, ING, 2006)
Com: Peter O’Toole, Jodie Whittaker
Escrito por
Anderson Vitorino
às
13h21
|
|