O comediante inglês, filho de mãe judia, Sacha Baron Cohen pretendia seguir uma carreira acadêmica antes de ingressar no mundo do humor, influenciado principalmente por Peter Sellers. Desde as primeiras aparições do personagem Ali G entrevistando celebridades na TV inglesa, Cohen só viu sua popularidade crescer. Em 2000 veio o programa de TV Da Ali G Show, no qual nasceu o personagem Borat, um repórter do Cazaquistão, e em 2002 foi a vez do longa Ali G Indahouse.
O grande sucesso do filme Borat foi uma surpresa até para a própria Fox, que distribui o longa pelo mundo. Surpreendentemente, Borat ficou em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas mesmo sendo os EUA o principal alvo de críticas do filme que segue a mesma estrutura do programa de TV: esquetes que poderiam ser assistidos separadamente sem grande prejuízo. O que une as partes do roteiro, indicado ao Oscar® de melhor roteiro adaptado, é a busca do repórter de “maus modos” pela musa do S.O.S. Malibu, Pamela Anderson. E assim Borat e seu operador de câmera e produtor Azamat Bagatov partem numa viagem, cruzando os EUA, rumo à Califórnia.
Numa mistura de polonês, hebreu e inglês – tudo mal falado – Borat nos apresenta sua terra natal no início do filme e parte para os EUA com a missão de aprender a cultura do país para repassar pontos positivos para o Cazaquistão. É com essa “brincadeira” de estar fazendo um documentário que a equipe do filme convenceu várias pessoas a participar de cenas constrangedoramente divertidas. Processos judiciais não faltam, mas também não faltam dólares para deixar tudo bem.
O falso repórter distribui beijos a americanos, piadas sexuais, raciais e até mesmo escatológicas. O filme reúne o politicamente incorreto e o “mau gosto” amparados pela “falta” de cultura do “pobre” repórter do longínquo Cazaquistão. Sacha, vencedor do globo de ouro de melhor ator em filme de comédia ou musical, coloca seu personagem numa posição de não julgamento e assim consegue a auto-exposição de americanos que encontra no meio do caminho. O ator se recusou a apresentar a cerimônia do Oscar® no próxima dia 25 e nega que fará uma seqüência para o filme. Segundo ele, Brüno – um austríaco expert em moda – será o próximo personagem do Ali G Show a ganhar um longa-metragem. High five!
Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, de Larry Charles   
(Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, EUA, 2006)
Com: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h52
|
Depois de ganhar mais de 20 prêmios pelo mundo todo com o seu primeiro filme (Madame Satã, 2002), o diretor cearense Karim Aïnouz fez um intervalo de quatro anos antes de nos entregar seu segundo trabalho. Com pré-estréia mundial no Festival de Veneza, O Céu de Suely dá seqüência à carreira consistente do diretor, envolvido em outros projetos cinematográficos (Cinema, Aspirinas e Urubus, Cidade Baixa) e fotográficos. Ele diz ser de uma última geração utópica, que ainda acredita em sonhos, e é isso que a personagem Hermila tenta construir no filme.
O Céu de Suely trata da migração, do deslocamento, não necessariamente motivado por questões sociais, mas também por impulsos pessoais, pela fragilidade dos laços entre as pessoas, ou até mesmo pela busca de conexões mais sólidas. O período dedicado a ensaios e preparação de elenco, dois meses na própria locação do filme, a cidade de Iguatu, proporcionou um entrosamento eficiente entre os atores e também com a câmera e a luz de Walter Carvalho. Os atores emprestaram seus próprios nomes aos personagens e percebemos que seus corpos também estão à disposição da história que estão contando. O filme se passa numa cidade do sertão cearense, mas poderia acontecer em qualquer lugar do planeta, onde as pessoas buscam cada vez mais formas diversas de sobrevivência em meio a uma economia saturada e dias cada vez mais quentes.
Site do filme
O Céu de Suely, Karim Aïnouz   
(Idem, BRA/FRA/ALE/POR, 2006, Cor, 88’)
Com: Hermila Guedes, João Miguel, Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui
Escrito por
Anderson Vitorino
às
09h23
|
|