Estréias da Semana
Dias de Glória, de Rachid Bouchared   (Indigènes, FRA/MAR/BEL/AGL, 2006) Com: Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila, Bernard Blancan

O que mais me agrada ao pensar em Dias de Glória é o seu tema. Já não é de hoje que a situação dos imigrantes na França, na verdade no mundo todo, está em estado latente de explosão. Manifestações nas periferias de Paris, noticiadas mundo a fora, foi o estopim para o diretor francês Rachid Bouchared, filho de pais argelinos, colocar o seu filme, já programado, de pé.
Depois de mais de 20 tratamentos no roteiro de Indigènes, tratamento preconceituoso dispensado aos colonos franceses, Bouchared deu início às filmagens de seu drama de guerra que acompanha 4 africanos convocados para lutar com o exército francês contra a invasão alemã na II Guerra Mundial.
A estrutura de Dias de Glória não se distancia do gênero já consolidado por outros filmes de guerra, mas esse filme encontra na reconstituição de época e nas atuações suas maiores qualidades. Cada um dos personagens principais é explorado em sua personalidade, desejos e ponto de vista sobre a dominação, sobretudo ideológica, da França sobre suas colônias africanas.
A posição anti-colonialista assumida pelo filme se impõe sem máscara ou subterfúgios e para muitos isso é motivo de parcialidade prejudicial ao aprofundamento do lado dos franceses. A questão maior é que a França passa por um momento de revisão de seu passado e vemos isso refletido em obras; Caché, de Michale Haneke, é um exemplo perfeito para ser bem observado.
O grande trunfo, acredito eu, e a maior ironia é que Dias de Glória “conquistou” a França e segue rumo a outros países. O longa-metragem ganhou a Palma de ouro de interpretação masculina para seu elenco em Cannes, concorre ao Oscar® de filme estrangeiro e ainda é o grande favorito ao César, maior premiação do cinema na França.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
14h17
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O Homem Duplo, de Richard Linklater  
(A Scanner Darkly, EUA, 2006) Com: Keanu Reeves, Robert Downey Jr., Winona Ryder, Woody Harrelson

Seguindo a mesma técnica de animação (pintura e animação após a captura com atores reais) utilizada em Waking Life, o diretor Richard Linklater visita a obra de Philip K. Dick (1928 – 1982), autor de, entre outros, Blade Runner. A abertura indica que a ação se passa num futuro próximo, logo a realidade imaginada não está tão longe assim.
Os EUA vivem diariamente rodeados por câmeras, agentes de segurança e pela teoria da conspiração, agora insuflada pelo consumo indiscriminado de uma droga química, a substância D, que além de causar alucinações e paranóia, ainda divide a personalidade, criando espécie de alter-egos. Nesse ponto, o tipo de animação serviu bem para dar vida à obra inspirada nas experiências pessoais do autor com as drogas.
Linklater é reconhecido por sua peculiar direção de atores, que contribuem, inclusive, com textos próprios para o roteiro. Os personagens falam, falam e falam. O drama principal gira em torno do personagem de Keanu Reeves, Fred, um tipo de agente “secreto” do governo, que é incumbido de investigar seu próprio alter-ego, o traficante Bob. Fred está deliberadamente viciado na tal droga D e tem que lidar com suas alucinações e sua namorada que não suporta contato físico – paranóias já percebidas no mundo há um tempo. O grande atrativo do filme está na animação e nas atuações histriônicas de Robert Downey Jr. e Woody Harrelson, além claro da própria história de Dick.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
14h14
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Vencedores do Festival de Sundance 2007:

John Cusack em Grace is Gone
Grande prêmio do júri: Documentário MANDA BALA (SEND A BULLET), dirigido por Jason Kohn. No Brasil, conhecido como um dos países mais violentos e corruptos do mundo, MANDA BALA segue um político que usa uma fazenda de sapos para roubar dinheiro, um rico executivo que usa sua fortuna pra blindar seus carros e um cirurgião plástico que reconstrói orelhas mutiladas de vítimas de seqüestros.
Grande prêmio do júri: Drama PADRE NUESTRO, dirigido por Christopher Zalla. Fugindo de um passado criminoso, Juan embarca em um caminhão de imigrantes ilegais, no qual ele conhece Pedro, que está atrás de seu rico pai.
Prêmio do júri (World Cinema): Documentário ENEMIES OF HAPPINESS (VORES LYKKES FJENDER)/Dinamarca, dirigido por Eva Mulvad e Anja Al Erhayem. Em ENEMIES OF HAPPINESS, Malalai Joya, uma jovem afegã de 28 anos, redefine o papel da mulher e dos oficiais eleitos no país dela a partir da sua histórica vitória em 2005 na primeira eleição do parlamento democrático no Afeganistão em 30 anos.
Prêmio do júri (World Cinema): Drama SWEET MUD (ADAMA MESHUGAAT)/Israel, dirigido por Dror Shaul. Em um Kibbutz ao sul Israel nos anos 70, Dvir Avni descobre que sua mãe tem problemas mentais. Nessa comunidade fechada, cercada por regras rígidas, Dvir tem que se equilibrar entre o lema de igualdade do Kibbutz e a dura realidade de sua mãe, que na verdade, vem sendo abandonada pela comunidade.
Prêmio do público: Documentário HEAR AND NOW, dirigido por Irene Taylor Brodsky. Brodsky conta a história pessoal e profunda de seus pais surdos e a decisão radical deles de, depois de 65 anos vivendo juntos em silêncio, passer por uma cirurgia de implante, procedimento que os possibilitaria ouvir.
Prêmio do público: Drama GRACE IS GONE, dirigido por James C. Strouse, com John Cusack. Depois de descobrir que sua mulher morreu no Iraque, o pai toma coragem de revelar a verdade para as filhas numa viagem “quixotesca” a um parque de diversões.
Veja a lista com todos os premiados no site oficial do festival!
Escrito por
Anderson Vitorino
às
12h31
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