O Violino, Francisco Vargas   
(MEX, 2005)

Grande vencedor do Festival de Gramado, este primeiro longa-metragem do diretor mexicano também foi recebido com entusiasmo no Festival de Cannes, no qual o ótimo ator Don Angel Tavira ganhou prêmio de melhor atuação masculina. O filme, fotografado em preto e branco, abre com uma dura cena de tortura, tão cara a nós, da América latina, que logo identificamos aquela cena com uma época, mesmo que essa, no filme, não seja esclarecida. Três gerações de uma familia vivem de música, tocada na rua e em portas de bares, mas também estão na linha de frente de uma guerrilha. É nessa vida dupla e na caça de um pelo outro, que Don Plutarco, patriarca da família e tocador de violino, trava contato com um militar. A música do violino de Don Plutarco vira um símbolo de resistência e uma verdadeira arma a favor dos guerrilheiros. O Violino tem no seu registro documental um recurso narrativo importante e os planos gerais da mata intrincada onde se escondem os guerrilheiros dá uma idéia da “qualidade de vida” daquelas pessoas. A tensão é o suspense são tons utilizados e infelizmente, o final é de certa forma pessimista. Há outro caminho para aquela família? Não sei...
Escrito por
Anderson Vitorino
às
14h49
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Volver, Pedro Almodóvar    
(ESP, 2006)
Com: Penélope Cruz, Carmen Maura, Blanca Portillo, Lola Dueñas.

Depois de explorar os limites do próprio virtuosismo estético (Fale com Ela) e revisitar o gênero noir de forma mais intrincada do que em Carne Trêmula (Má Educação), Pedro Almodóvar volta à sua infância de forma mais leve, mas não menos engenhosa.
A comédia e o fantástico dão o tom em Volver, baseado principalmente em suas atrizes que reinventam as mulheres de um pequeno povoado em La Mancha, região de onde vem Almodóvar e a maioria de suas inspirações. Os costumes locais são explorados em si e em contraposição à contemporaneidade, espelhada tanto na mãe Raimunda quanto em sua jovem filha.
A aparente simplicidade dos modos de vida e das aspirações dos personagens, tanto os que ainda vivem no interior, quanto os que já vivem em Madrid, é uma deliciosa forma que o diretor encontrou para nos surpreender com as revelações de complexas relações – sobretudo familiares – entre as grandes atrizes escolhidas para o filme. Carmen Maura, que há muito estava afastada das lentes de Almodóvar, volta sublime como a grande mãe “fantasma” das mulheres do diretor. Maura já esteva ligada à obra almodovariana antes mesmo de ter estrelado o primeiro longa comercial do diretor em 1980 (Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón); ela atuou em longa de 1978, filmado em super-8 mm.
O roteiro de Volver, premiado em Cannes, é impulsionado por revelações do passado, que são discretas reviravoltas, enquanto engenharia de trama, mas são emocionalmente fortes dentro da história. É difícil destacar uma atriz, visto que todas estão minimamente caracterizadas em ações externas e internas – o elenco feminino foi premiado em Cannes e Penélope Cruz concorre ao Oscar. Uma cena memorável, dentre várias, é quando Cruz canta uma bela canção - sem saber que é ouvida pela mãe emocionada - e que fala sobre o retornar, o voltar (em espanhol volver).
Visite o site oficial de VOLVER!
Escrito por
Anderson Vitorino
às
13h04
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Quem é Ryan Gosling?
Ator canadense, nascido em 12 de novembro de 1980, toca guitarra e é fã de jazz e Chet Baker. Quando Gosling estava no colégio, ainda no Canadá, sofria vários insultos de outros estudantes e por isso sua mãe o retirou da escola, dando continuação à educação do filho em casa. Filme e ator favoritos: Vidas Amargas (Elia kazan, 1955) e Gary Oldman. Ryan está na disputa pelo Oscar® de melhor ator, por sua atuação no ainda inédito no país, Half Nelson.
Filmes de Ryan Gosling disponíveis no Brasil:
A Passagem Diário de uma paixão O Mundo de Leland Cálculo Mortal Tolerância Zero Duelo de Titãs (2000)
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h50
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Babel, de Alejandro González Iñárritu . (EUA/MEX, 2006)
O título de um filme transmite a identidade do projeto e quando ouvimos o nome Babel, somos remetidos a um fato bíblico, que já faz parte do imaginário coletivo. Como forma de castigo pela ousadia humana de tentar construir uma torre alta o suficiente para atingir o patamar divino, Deus confunde os homens com diferentes línguas. Portanto, a população que antes se entendia e levava a cabo a construção infame, passa a enfrentar a barreira da comunicação.
O filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, que fecha a suposta “trilogia sobre a morte” (Amores Brutos e 21 Gramas), tem a pretensa intenção de olhar para o mundo como essa torre de pessoas em desentendimento. Não há pistas de porquê o planeta sofre essa punição da incomunicabilidade, logo não há saída e nem motivo para mudanças. Assim, o projeto ambicioso de filmar em diversos continentes e línguas, com grandes astros dividindo a tela com atores não-profissionais, se resulta num mais do mesmo da visão pessimista e da estrutura manjada da dupla Iñárritu-Arriaga.
As três histórias que compõem o mosaico do roteiro de Arriaga (além dos outros dois de Iñárritu, escreveu também Três Enterros e El Búfalo de la Noche, em competição atualmente no Festival de Sundance) não se sustentam individualmente e muito menos “interligadas”, vide à maneira extremamente simplista de juntar o episódio no Marrocos com os acontecimentos no Japão: um rifle oferecido como presente.
A estética (câmera na mão, filtros, planos curtos ligados por cortes secos), igualmente utilizada nos trabalhos anteriores do diretor, não dá tempo nem lugar para que os personagens se aprofundem e suas tragédias pareçam menos exageradas e mais críveis. Iñárritu usa os recursos cinematográficos para explorar o inferno que é a vida na Terra: crianças brincam com armas, adultos brincam com armas; deficientes auditivos não têm espaço na sociedade e japoneses continuam se suicidando; americanos têm medo de latinos e de muçulmanos então, nem se fale. Além disso, a câmera de Rodrigo Prieto, diretor de fotografia mexicano que depois de Amores Brutos já trabalhou em diversas produções americanas, capta todas as regiões em que o filme se passa de forma turística: planos de poucos segundos com imagens “típicas” do local. É triste, porque o próprio México, país de origem de praticamente metade dos envolvidos em Babel, é visto como um lugar sujo, perigoso, onde ninguém quer ficar e, pior ainda, para onde são mandados os que infringem as “leis do império” vizinho.
É decepcionante ver vários atores, e outros profissionais de qualidade, desperdiçados em algo tão superficial, revestido de cinema internacional para exportação. A indústria americana vem se alinhando a esse tipo de projeto globalizado por várias razões, entre elas a facilidade de filmar em lugares remotos, com mão de obra mais barata, a necessidade de dar frescor tanto às histórias quanto às formas como são contadas e, claro, visando o consumidor final: o público é o mundo.
Babel ganhou os prêmios de melhor direção, técnico (montagem) e ecumênico do júri em Cannes 2006, o Globo de ouro de melhor filme dramático e concorre a sete estatuetas, em seis categorias, ao Oscar desse ano: filme, direção, atriz coadjuvante, montagem, roteiro original e trilha sonora.
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h42
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Leia o texto de Gilberto Dimenstein (membro do Conselho Editorial da Folha de SP e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz) sobre o filme de Ricardo Elias (Os 12 Trabalhos - comentado aqui nesse blog) a ser exibido em pré-estréia na Cinemateca Brasileira hoje em decorrência das comemorações do 453º aniversário da cidade de São Paulo, clique aqui.
Site da Cinemateca Brasileira
Escrito por
Anderson Vitorino
às
10h37
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