Monumento
cinematográfico!
Juventude em Marcha, de Pedro
Costa     (Portugal/França/Suiça, 2006)  Um dos
filmes que mais me tocou, pessoal e cinematograficamente, nos últimos tempos!
Foi o primeiro filme desse diretor português que vi e fiquei extremamente
impressionado desde sua abertura inusitada, escura, com um plano de câmera
intrigante. O filme segue assim, em um português cabo-verdiano ainda mais
difícil do que o dos portugueses. É incrível como sem quase nada explicitar,
tomamos conhecimento de muita coisa da vida daquele imigrante e de sua família.
Os planos estáticos, em teoria, se carregam de significados de acordo com o
enquadramento e a luz, ou falta dela. Os “atores” no filme interpretam seus
próprios papéis e reinventam assim, o próprio destino. Imagino que a intromissão
de Pedro Costa tenha sido bressoniana, no sentido de conseguir criar uma
nova imagem para cada imagem. Os diálogos, entrecortados por silêncios, são como
orações. Não sai da minha cabeça a carta de amor a ser escrita pelo patriarca,
possivelmente o único letrado. Carta que se torna um verdadeiro mantra, como se
fosse a idealização de um sonho, um estado pleno de amor e paz, uma profissão de
fé. Essa gente habita uma espécie de conjunto habitacional, dificilmente
conquistado, e amarga conseqüências de sua colonização. A cidade, Lisboa,
praticamente não aparece, a não ser quase no final do filme, por entre árvores,
recortada. Tempo e espaço são recriados de forma a nos transpor para o cotidiano
inebriante que esses personagens vivem. A sensação que eu sentia, além de
envolvido com a agonia, a sujeira, a desesperança das pessoas, era de nunca ter
visto nada igual!
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h58
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Prêmios da Mostra
Prêmio do Júri – Melhor Filme:
O CHEIRO DO RALO, de Heitor Dhalia (Brasil)
Prêmio Especial do Júri:
O VIOLINO, de Francisco Vargas (México)
com menção especial para o ator DON ANGEL TAVIRA
Prêmio do Júri - Melhor Ator:
ADEL IMAM, por O EDIFÍCIO YACOUBIAN (Egito)
Prêmio do Júri - Melhor Atriz:
MARIA LUNDQVIST, por MINHA VIDA SEM MINHAS MÃES (Finlândia)
Prêmio do Júri – Menção Honrosa:
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, de Cao Hamburguer (Brasil)
“Por sua realização visual e pela capacidade não apenas de criar uma atmosfera de época, mas também de traduzir o sentimento coletivo daquele período”
continua
Escrito por
Anderson Vitorino
às
08h40
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Prêmios da Mostra
Prêmio Petrobras Cultural de Difusão – Melhor Longa Brasileiro de Ficção:
ANTONIA, de Tata Amaral
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, de Cao Hamburguer
Prêmio Petrobras Cultural de Difusão – Melhor Documentário Brasileiro:
FABRICANDO TOM ZÉ, de Décio Matos Jr.
Prêmio do Público – Melhor Curta Brasileiro:
PRIMEIRA VEZ, de Fabrício Bittar
Prêmio do Público – Melhor Média Brasileiro:
DEUS E O DIABO EM CIMA DA MURALHA, de Tocha Alves e Daniel Lieff
continua
Escrito por
Anderson Vitorino
às
08h40
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Prêmios da Mostra
Prêmio do Público – Melhor Longa Estrangeiro de Ficção:
ROSSO COME IL CIELO, de Cristiano Bortone (Itália)
Prêmio do Público – Melhor Documentário Estrangeiro:
UMA VERDADE INCONVENIENTE, de Davis Guggenheim (EUA)
Prêmio do Público – Melhor Curta Estrangeiro:
EU QUERO SER PILOTO, de Diego Quemada-Diez (Quênia/México/Espanha)
Prêmio do Público – Melhor Média Estrangeiro:
JANA SANSKRITI – UM TEATRO EM CAMPANHA, de Jeanne Dosse (França)
Prêmio da Crítica – Categoria Internacional:
HAMACA PARAGUAYA, de Paz Encina (Paraguai/França/Argentina/Holanda)
“Pela ousadia na maneira de abordar a passagem do tempo, as relações humanas e as reflexões sobre a vida e a morte de maneira única e simples”
Prêmio da Crítica – Categoria Nacional:
O CHEIRO DO RALO, de Heitor Dhalia
“Pela junção de um fino humor negro com reflexões psicológicas e sociais, entre outras”
Prêmio da Juventude:
(votos de estudantes secundaristas dentro da seção Festival da Juventude):
MINHA VIDA SEM MINHAS MÃES, de Klaus Harö (Finlândia)
Prêmio Humanidade:
VITTORIO DE SETA, cineasta italiano de BANDITI A ORGOSOLO (1961) e CARTAS DO SAARA (2006), convidado de honra da 30ª Mostra
Escrito por
Anderson Vitorino
às
08h39
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Agradáveis surpresas latinas!

Que Tan Lejos, de Tânia Hermida  
A “propaganda” era: primeiro filme
equatoriano em não sei quantos anos... Nossa! Bom, fui ver e a surpresa foi
ótima! O filme é simples, no que diz respeito ao número de personagens, locações
e até linguagem. É o primeiro longa da diretora que foi assistente de direção no
filme Maria Cheia de Graça. A história narra a viagem de uma jovem para
tentar impedir o casamento de um ex-namorado que vice no interior. No percurso
conhece uma espanhola em viagem pelo Equador e depois um homem que viaja com as
cinzas da avó morta. Os três são colocados frente a um país esvaziado, em dia de
manifestação que paralisa os ônibus na região. A jovem universitária, se
autodenomina Tristeza, em contraponto à estrangeria Esperanza, e é
um pouco da troca entre os sentimentos das duas que se dá a evolução da
narrativa do filme. Tristeza é crítica e politizada, enquanto Esperanza quer se
aventurar e acha tudo fantástico! É claro que não há grandes novidades, é um
filme de estrada, mas Que Tan Lejos olha para o próprio país, para o
próprio povo, sem condescendências, e busca assim, ainda, uma identidade
nacional, se é que ela existe. Há um clima de naturalidade, leve comicidade e o
charme do pessimismo de Tristeza.

O Violino, Francisco Vargas   
Grande vencedor do Festival de
Gramado, este primeiro longa-metragem do diretor mexicano também foi recebido
com entusiasmo no Festival de Cannes, no qual o ótimo ator Don Angel Tavira
ganhou prêmio de melhor atuação masculina. O filme, fotografado em preto e
branco, abre com uma dura cena de tortura, tão cara a nós, da América latina,
que logo identificamos aquela cena com uma época, mesmo que essa, no filme, não
seja esclarecida. Três gerações de uma familia vivem de música, tocada na rua e
em portas de bares, mas também estão na linha de frente de uma guerrilha. É
nessa vida dupla e na caça de um pelo outro, que Don Plutarco, patriarca da
família e tocador de violino, trava contato com um militar. A música do violino
de Don Plutarco vira um símbolo de resistência e uma verdadeira arma a favor dos
guerrilheiros. O Violino tem no seu registro documental um recurso
narrativo importante e os planos gerais da mata intrincada onde se escondem os
guerrilheiros dá uma idéia da “qualidade de vida” daquelas pessoas. A tensão é o
suspense são tons utilizados e infelizmente, o final é de certa forma
pessimista. Há outro caminho para aquela família? Não sei...
Escrito por
Anderson Vitorino
às
19h45
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Melhores da Mostra, até 29/10
Anche Libero Va Bene, de Kim Rossi
Stuart O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia Sonhos de Peixe,
de Kyrill Mikhanovski Eu Não Quero Dormir Sozinho, de Tsai
Ming-Liang O Crocodilo, de Nanni Moretti A Última Noite, de
Robert Altman Dias de Glória, de Rachid Bouchareb Mundo
Novo, de Emanuele Crialese Still Life, de Jia Zhang-Ke Síndromes e
Um Século, de Apichatpong Weerasethakul Shortbus, de John Cameron
Mitchell O Violino, Francisco Vargas Leis de Família, de
Daniel Burman Notícias do Lar/Notícias de Casa, de Amos Gitai
Escrito por
Anderson Vitorino
às
10h26
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